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Ameaças cibernéticas regionais: o que monitorar no Brasil e na América Latina

Ameaças cibernéticas regionais: o que monitorar no Brasil e na América Latina

23 de jan. de 2026

Grande parte dos relatórios globais de cibersegurança parte de uma premissa implícita: as ameaças são universais. Na prática, isso está longe de ser verdade.
Embora ferramentas e técnicas se espalhem rapidamente, a forma como elas são usadas varia fortemente por região, influenciada por fatores econômicos, culturais, regulatórios e até linguísticos. 

Quer um exemplo? Basta lembrar da série de ataques que foi apelidada de SORVEPOTEL e que envolveu a propagação automatizada de várias famílias de malware brasileiras pelo WhatsApp. Algo que cresceu rapidamente em volume e que se manteve ativo por vários meses mas que, até o momento em que escrevo esse blogpost, se restringiu ao Brasil.

Para times de Cyber Threat Intelligence (CTI) que atuam no Brasil e na América Latina, entender esse contexto regional não é um detalhe, é um requisito para produzir inteligência relevante e acionável.

Por que o contexto regional importa em CTI

CTI eficaz não é apenas saber o que está acontecendo no mundo, mas quem está sendo atacado, como e por quê.
Na América Latina, observamos um cenário com características próprias:

  • Forte presença de fraudes financeiras e engenharia social
  • Ecossistemas bancários e de pagamento muito visados
  • Ambientes corporativos heterogêneos, com maturidade desigual
  • Uso intenso de canais como WhatsApp, SMS e e-mail pessoal como vetores de ataque.

Ignorar esses fatores leva a um erro comum: aplicar modelos de ameaça pensados para EUA ou Europa a uma realidade completamente diferente.

Principais vetores de ataque na região

1. Fraudes financeiras e engenharia social

Esse é, de longe, o vetor mais prevalente.

No Brasil e em países vizinhos, campanhas de phishing e fraude exploram:

  • Bancos, fintechs e meios de pagamento
  • Programas sociais, impostos e boletos
  • Atendimento ao cliente e suporte técnico falsos

O CTI regional deve monitorar:

  • Kits de phishing em português e espanhol
  • Templates reutilizados entre campanhas
  • Infraestrutura de envio via SMS, WhatsApp e e-mail

2. Malware bancário e infostealers

A região tem histórico forte de malware financeiro, com famílias adaptadas ao idioma e aos hábitos locais.

Características comuns:

  • Foco em roubo de credenciais bancárias
  • Uso intenso de trojans de acesso remoto e overlays (quando a tela do atacante sobrescreve a tela do aplicativo atacado) 
  • Distribuição via e-mail, anúncios falsos e downloads maliciosos

Para CTI, isso exige:

  • Monitoramento contínuo de campanhas locais
  • Correlação entre stealer → fraude → engenharia social
  • Atenção especial a vazamentos de credenciais regionais

3. Ransomware direcionado

Embora a maioria das quadrilhas de ransomware atuem de forma global, os impactos costumam ser mais severos dependendo da região, sobretudo devido às especificidades econômicas dos países envolvidos.

Observações importantes:

  • Ataques oportunistas contra empresas com baixa maturidade
  • Uso frequente de acessos comprados de Initial Access Brokers
  • Foco em setores como saúde, logística, educação e governos locais

O CTI deve priorizar:

  • Monitoramento de fóruns onde acessos a empresas latino-americanas são vendidos
  • Observação de painéis de vazamento com vítimas regionais
  • Correlação entre grupos globais e afiliados locais

4. Abuso de identidade e serviços em nuvem

Com a migração acelerada para SaaS, ataques envolvendo:

  • Credenciais válidas
  • MFA mal configurado
  • Aplicações em nuvem expostas

tornaram-se cada vez mais comuns.

Na região, isso é agravado por:

  • Falta de padronização de controles
  • Ambientes híbridos mal integrados
  • Baixa visibilidade sobre acessos externos

Aqui, o CTI precisa atuar junto a:

  • SOC e gestão de identidades
  • GRC e áreas de risco
  • Times de conscientização em segurança

Atores e perfis predominantes

Diferente de regiões mais visadas geopoliticamente, a América Latina é majoritariamente alvo de:

  • Cibercrime financeiramente motivado
  • Grupos oportunistas e afiliados de quadrilhas de ransomware
  • Atores locais ou regionais com forte adaptação cultural

Ataques patrocinados por Estados existem, mas normalmente são ligados a:

  • Governos
  • Infraestrutura crítica
  • Telecomunicações
  • Entidades de pesquisa
  • Empresas de defesa

Isso muda completamente a priorização de ameaças para o CTI regional.

O papel do idioma

Um diferencial crítico — muitas vezes ignorado — é o idioma.

Campanhas em português e espanhol nem sempre estão no centro das prioridades das empresas que publicam pesquisas sobre ameaças cibernéticas, de modo que gírias, termos regionais e referências locais podem passar despercebidos e escapar de filtros treinados com conteúdo em inglês

Times de CTI que não monitoram conteúdo regionalizado perdem sinais importantes ainda na fase de preparação do ataque.

Estruturando um CTI com foco regional

Para produzir inteligência realmente útil no Brasil e na América Latina é preciso:

  1. Saber dosar esforços entre ameaças financeiramente motivadas e operadas por Estados-Nação
  2. Monitorar fóruns, canais e marketplaces com atuação regional
  3. Acompanhar vazamentos e credenciais ligadas a domínios locais
  4. Integrar CTI com conscientização, fraude e atendimento ao cliente
  5. Traduzir inteligência global para impacto local

O objetivo não é ignorar o cenário global, mas filtrar o que realmente importa para o contexto regional.

Como a Resonant te ajuda nisso

Ameaças não existem no vácuo. Elas se adaptam ao ambiente, à cultura e às oportunidades disponíveis.

No Brasil e na América Latina, o adversário fala a língua local, entende o comportamento da vítima e explora fragilidades específicas da região.

A Resonant possui um time de CTI maduro, nativo nos não só nos idiomas da região, mas proficiente na detecção de sutilezas e maneirismos típicos do nosso continente. Isso ajuda sua organização não somente a monitorar ameaças globais, mas também a entender como elas se manifestam no seu contexto regional.

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